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Volta para São Paulo – de Tocantins para São Paulo

Após algumas semanas de pausa, estamos de volta com novos episódios sobre as nossas aventuras e nossos rompimentos de barreiras. Este é o Podcast do portal We Go, e neste episódio atualizaremos nosso roteiro nômade. Ouça para que você rompa as suas próprias barreiras, vem com a gente vai ser mais leve garantimos!!

E é chegada a hora de partir do Tocantins… Com ar de regresso saímos de Palmas rumo a São Paulo, nossa terra natal. Apenas 14 meses depois. Ansiosos pelo retorno, porém com arzinho de despedida ao menos para esta temporada.

Estamos com tantas saudades dos amigos e da família que torcemos para que a volta fosse mais rápida do que de fato seria.

 

Nossa ideia a princípio era fazer alguma parada de alguns dias pelo caminho, porém resolvemos ouvir nosso corpinho e voltar para a terra natal direto com mais tranquilidade, pois a ansiedade não nos permitiria relaxar muitos dias sabendo que hora da volta se aproximava.

 

Decidimos voltar no final do ano, para resolver coisas burocráticas, como a renovação de nosso visto americano e também recarregar as energias emocionais e afetivas para a próxima temporada de viagens. 

 

Enfim saímos de Palmas e resolvemos fazer o percurso em três dias, sendo a primeira parada em Brasília, a segunda parada em Ribeirão Preto já no estado de São Paulo e depois o destino final que seria o interior de São Paulo e o litoral norte de São Paulo.

 

A viagem correu tranquilamente, pois boa parte do percurso já conhecíamos e sabíamos que até Brasília o caminho seria tranquilo, No entanto entre Palmas e Brasília, na parte mais erma do caminho, fizemos o amadorismo e cometemos o vacilo enorme de deixarmos a gasolina acabar. Enfim estávamos com o carro abastecido por álcool e como normalmente fazíamos com gasolina o cálculo saiu pela culatra. As crianças dormiam e achamos que o restante do tanque chegaria até a próxima parada…parecia que nem havíamos andado mais de 12.000 quilômetros …Mas o fato é que o carro simplesmente parou em uma pista, que tinha bem pouco acostamento, nos fazendo parar na grama na beira da rodovia. O celular completamente sem sinal, olhamos para um lado e para o outro e nada e mais nada, poucos caminhões cruzavam a pista de mão dupla.

 

A única coisa que nos faltou foi chorar, mas como o choro não levaria a lugar nenhum resolvemos parar um caminhão e pedir informação. O caminhoneiro gentilmente parou e informou que o próximo posto deveria ser a 100 quilômetros de distância, quase tivemos um treco. Além disso, o caminhão era a diesel então não poderia nos ajudar com a reserva de combustível.

 

O caminhão foi embora e com as mãos na cabeça ficamos pensando o que faríamos.  Paramos um outro caminhão e falamos: vamos embora com ele…todos? Todos! O caminhoneiro não teve nem tempo de perguntar em quanto éramos quando já estávamos os quatro e o gato na boléia do caminhão amontoados quase no colo dele.  Trancamos o carro e dissemos nos deixa no próximo posto que nos viramos de lá…

 

Por sorte o primeiro caminhoneiro estava equivocado e o primeiro posto era há 25 quilômetros dali.  Chegamos no posto e já começamos a esquematizar.

 

O posto era beeeem roots, na beira da estrada em um bairro afastado de uma pequena cidade entre Tocantins e Goiás. Os frentistas foram bastante gentis e agilizaram o que precisaríamos. Para quem não sabe, os carros mais novos têm uma redinho de proteção no tanque que é empurrada com o bico da mangueira do posto, então teríamos que nos atentar a isso.  O frentista muito sagaz fez um funil com a garrafa PET e ensinou a empurrar esta redinha.

 

Bem, gasolina e funil na mão a missão era conseguirmos uma carona para voltar até o carro. Fomos perguntando aos viajantes que iam para aquelas bandas e todos estavam voltando ou tinham medo de nos dar carona, pois havíamos decidido que apenas o Daniel quem iria na carona. Então o pessoal ficava com medo de um cara sozinho, daí então os dentistas passaram a nos ajudar dizendo que éramos viajantes e que estávamos em família, e foi assim que uma outra família resolveu fazer  a caridade para levar o Daniel até o carro. 

 

Eu e as meninas ficamos por volta de quarenta minutos até que o Daniel voltasse. hoje contando a história parece que não foi nada mas na verdade ficamos com muito medo sentadas as três no posto. Afinal, nessas horas os fantasmas assombram e eu pensava: e se ele não voltar em duas horas, por onde começo a procurar? E se o carro não pegar, como ele vai sozinho voltar de carona, e se eu for encontrar com ele e desencontrarmos.  Um monte de coisa passou na minha cabeça, nisso começou a rolar uma festa só de homens na conveniência do posto. Cerveja e caixinha de som fervendo e nós três duras no cantinho esperando ele voltar.  Nós três não, nós quatro porque tinha  a gata a tiracolo.

 

Quarenta minutos depois, quando o nosso carro apontou no posto.  Fomos correndo até ele como se estivéssemos a dias esperando o carro de salvatagem.  Hoje eu dou risada mas confesso que ali na hora foram três horas de puro nervosismo. E enfim com três horas de atraso chegamos em Brasília sãos e salvos. 

Apenas o detalhe que conseguimos explodir o secador de cabelos do hotel e demos apagão no andar…saímos as três do banheiro gritando …já estamos assustadas então um mero secador foi o suficiente para bater o desespero em geral.

Saindo de Brasília fomos mais por volta de 700 km até Ribeirão e daí já estávamos em casa, a estrada de Brasília passa por minas é tudo bem tranquila..

 

Três dias depois estávamos de volta à terra natal..

 

E, como é bom chegar em casa.  Fomos desfazendo as malas aos poucos, a nossa casa se resumia em três malas e a nossa vida se resumia a um amontoado de caixas que deixei no quintal da minha mãe. 

 

E nestas alturas a minha vida encontrava-se plenamente embolorada. Saímos para passar dois meses na Bahia e passamos 14 meses rodando o Brasil e contando as histórias através do podcast,

 

Passamos quatro dias entre caixas emboloradas e recordações do que era uma vida de não viajantes…foi nostálgico, e libertador e desesperador ao mesmo tempo.

 

Nostálgico pois entre as caixas, tinham anos de vida, todas as lembranças de uma vida foram guardadas nas caixas…tinha bastante quinquilharia também …coisas que não entendíamos o porquê de estarem guardadas.

 

Foi desesperador por pensar que a nossa vida passou a ser algumas caixas de papelão e libertador por pensar que a nossa caixa passou a ser algumas caixas de papelão. Falamos mais sobre isso nos próximos episódios sobre romper barreiras e alterar paradigmas.

Ouça o PODCAST desse texto

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