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Vida nômade: Como nos adaptamos a novas rotinas todo o mês

 

 

Acho que um dos grande desafios da vida nômade, é a constante adaptação que temos que fazer todo o tempo, ou seja em cada lugar passamos pela divertida e curiosa ação de descobrir o funcionamento do ambiente em que nos encontramos em cada momento, e no nosso caso, passamos por isso quase todo mês.
Eu sou a Danny Truffi e este é o Podcast do Portal We Go, um espaço de experiência compartilhada, onde pretendemos explorar nossa atual vida nômade e tantos outros rompimentos de barreiras. Neste episódio trarei um pouco de nossos desafios quando chegamos em novos locais para “morar por um ou dois meses”, ainda hoje contarei um pouco de nossa rotina em Lençois na Chapada da Diamantina, onde passamos 75 dias vivendo e seguindo nossa rotina de trabalhos e estudos. Ouça para que você possa se inspirar e romper as suas próprias barreiras, vem com a gente vai ser mais leve garantimos!

Confesso que esta adaptação toma um certo tempo da rotina, e em meio ao trabalho e estudo, às vezes isso atrapalha. No entanto, na maior parte do tempo, esta parte é a que eu mais me divirto. Parece que a cada novo lugar eu começo a escrever uma nova história em uma página ainda em branco.
A adaptação do travesseiro, da cama, dos barulhos da casa durante a noite e onde ficam os interruptores. As primeiras vezes que utilizamos a cozinha é uma descoberta total, quando estamos em mais um só na cozinha, ficamos que nem barata tonta batendo cabeça, vão uns três dias até entendermos onde cada coisa fica.

É quase que uma aventura descobrir onde ficam os estabelecimentos essenciais, como: supermercado, farmácia, quitanda, dentre outros serviços essenciais para o dia a dia.

E, assim, diante de perguntas e respostas descobertas e aventuras, fomos ficando cada vez melhores na arte da adaptação ao novo lar e espaço de vida.

Assim que chegamos já sabemos que temos de descobrir qual o mercado mais próximo, qual a senha do Wi-Fi da nova casa e quais os dias e locais que devemos descartar o nosso lixo.

Ao chegar na casa, parecemos vários bichinhos, abre a porta e sente o cheiro, entra na casa, com o pé direito, não esquece, a não o Daniel que já foi jogador de futebol ensinou que não é com o pé direito que se pisa no campo, na verdade você pisa primeiro com o pé esquerdo, com o pé direito no ar e o esquerdo no chão, faz-se o nome do pai e depois do nome do pai é que pode colocar o pé direito em direção ao campo, e no nosso caso a casa. Ficou confuso? Não esquenta, Daniel pode mostrar para todo mundo dia destes.

Enfim, após este ritual da sorte, entra na casa e vai cada para um lado, explorar a cozinha, definir os quartos, usar o banheiro e preparar o espaço para tirar a Brisa, nosso gato viajante, da caixinha e definir onde estabeleceremos o local do bichano.

Depois de rodar todos os cantos da casa, bora descarregar o carro. Depois, enquanto metade do pessoal organiza as coisas, a outra metade vai para o mercado e explorar a redondeza. Afinal chegamos na casa sem nada de dispensa, pois evitamos comprar muitas coisas no último dia do lugar anterior, para não termos que carregar mantimentos, os quais ocupam um espaço significativo em um carro quase tartaruga, pois carregamos seis vidas e suas moradas em um único automóvel.

E, daí é só começar a rotina. Às vezes chegamos em dia de trabalho, então, pegamos as primeiras mesa que vemos pelo caminho e já montamos as estações de trabalho. Bora para o trabalho.

Com o passar dos dias vamos conhecendo os lugares e as pessoas vão nos conhecendo. Aos poucos vamos ficando conhecidos nos estabelecimentos, o que traz certo conforto, pois as pessoas passam a não nos enxergar como turistas e já vão nos passando as diquinhas de moradores. Em Lençóis por exemplo,sem que nada disséssemos a nossa banquinha oficial da feira passou a guardar para nós os saquinhos de quiabo e de abóbora, pois entenderam a nossa decepção quando acabavam estes itens

Onde tem o melhor pão, o mercado que vende produtos melhores, e o mercado que vende produtos mais baratos. E onde tem frutas, verduras e legumes? E onde encontramos coisinhas essenciais de manutenção de casa? Vale lembrar que as dicas dos anfitriões São sempre bem vindas, e alguns capricham no guia, o que ajuda deveras na adaptação. Algumas dicas descobrimos logo de cara do que estão falando, outras é com o passar dos dias que entendemos tudo e o todo.

Aqui em Lençóis especificamente de onde escrevo este episódio ( sim eu escrevo todos os episódios, já gravei no gogó mas acho mais difícil, pois me expresso bem melhor escrevendo do que falando livremente). Fechando este parenteses aqui, e voltando, aqui em Lençóis, não tem grandes dificuldades em encontrar as facilidades do dia dia, como estamos em uma cidade pequena, o comércio do morador é o mesmo do turista, então é muito legal fazer as coisas simples do dia dia, ir ao mercado, ou a padaria por exemplo é sempre um evento, pois

Da casa onde estamos, na chapada conseguimos fazer tudo a pé e passamos pelas ruas de paralelepipedos que se aglomeram os restaurantes da região, desta forma, de segunda a sexta passamos por gente feliz e sorridente que está em busca de diversão, cerveja gelada e boa música, assim vemos as pessoas animadas e a cada canto uma nova música ao vivo, quase sempre MPB, que particularmente à mim é um alento aos ouvidos. E, assim, divertindo a mente ou divertidamente caminhamos pela rua da baderna com a mochila e as sacolas recicláveis para fazer as compras semanais.

Também em Lençóis, fica fácil de encontrar utensílios domésticos ou qualquer outra utilidade que precise. Nestas mesmas ruas que citei acima você encontra três, quatro ou cinco lojinhas de utilidades, daquelas vende tudo, que tem desde ferramenta até sapato infantil, passando por produtos da Natura e material de papelaria.

Pois é…a desvantagem é não ter muita opção, mas confesso que consigo enxergar muita facilidade nestas cidades pequenas, a vida fica mais simples,mais leve e mais barata sem aquele vai e vem maluco e sem ter que tomar tantas decisões: é aquilo que tem e ponto. E de fato, a maioria das coisas são resolvidas assim: de forma simples, e você se acostuma com o simples e com as poucas opções.

Aqui em casa, fazemos os aniversários relativamente perto. De julho a setembro os cinco integrantes da família, incluindo o gato, fazemos os aniversários.
E neste ano todos eles foram comemorados assim, de forma simples, sem muitas opções de incrementos e me parece que foi mais leve, sabe?

Tem um tipo de vela, tem loja de ferramentas que vende brinquedos e acessórios, tem camiseta da chapada. Escolheu dentre estes os enfeites da grande festa e também dentre estes os presentes, e assim, foram os cinco aniversários, sem muito rebuliço, mas mesmo para anunciar o início da nova volta ao sol.

Voltando a nossa rotina por aqui, depois de descobrir os serviços essenciais vamos descobrindo as alternativas de realizarmos as nossas rotinas do dia a dia.

A sacada dos quartos virou escritório e sala de aula e avistamos a Chapada, as trilhas viraram nossos parques de caminhada e corrida. Que privilégio este!!!!! Ao invés de caminhar na calçada, estamos localizado há alguns passos da entrada da trilha do ribeirão do meio, uma cachoeira famosa aqui em Lençóis e nossas corridas e ou caminhas do dia dia acabam sendo feitas nesta trilha, que é especialmente agradável e plana na maior parte do percurso. Quando enjoamos da trilha corremos aqui pelo bairro mesmo que é bem gostoso, afinal as ruas são de terra e a vista é linda!!!! Quanta qualidade de vida.

As diversões dos finais de semana são caminhar nas ruas badaladas e ir à feira no domingo. A feira é incrivelmente linda e guarda produtos frescos para nossa alimentação, o que confere ainda mais a grande qualidade de vida que podemos ter.

Outro programa rotineiro por aqui tem sido, ir banhar-nos nos poços do Serrano. É quase mágico ver os poços que a cachoeira do serrano formam. E estes poços, quando enchem de água, tornam-se verdadeiros ofurôs. De domingo as famílias levam as crianças para nadar nos poços e as cachoeiras se tornam as praias para a diversão de quem está por estas terras.
Bem bacana ver costumes tão diferentes. Isso que contei até aqui são rotinas do dia dia que se faz gratuitamente, rotinas de moradores da região, esta é a nossa rotina de gente que está vivendo no local e não turistando. Por aqui fizemos pouquíssimos passeios pagos, fato que explicamos as razões no episódio:Vida Nômade: Como diferenciar a vida nômade de turistando, mas a minha ideia aqui é mesmo mostrar a nossa rotina e contar um pouco dos desafios adaptativos.

As terras chapadeiras são mesmo mágicas, ou nós é que estamos realmente abertos a novas possibilidades e então o universo conspirou quanticamente por nós.

Fomos convidados a jantar na casa de nossos anfitriões e foi uma noite incrível de boa comida, bebida e bom papo. Ele holandês, ela brasileira, mora na Holanda há 30 anos e passa longas temporadas aqui no Brasil, tendo escolhido Lençóis como seu reduto. Foi uma noite prazerosa de troca de experiências onde pudemos ouvir e contar experiências de vida.
Gratidão eterna por este jantar! Obrigada, Peter e Nazir por esta noite.

Ainda na Chapada, num dia desses indo à feira encontrei uma Kombi pelo caminho, e resolvi procurar o projeto no instagram, foi quando nos deparamos com as @meninasdakombi, que foi a nossa estreia de entrevistas no podcast da semana passada.

Ainda, magicamente caminhando pelas ruas de Lençóis encontrei o amado Caca, pediatra das crianças que faz parte do rol das pessoas que guardo no coração, e a Chapada nos presenteou com este encontro após anos sem nos vermos. Pudemos nos encontrar em um outro dia e trocar um pouco de ideia do que se passava na vida um do outro.

Ainda tem nossa ida ao Capão, mas isto guardarei para próxima.

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