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Pegamos COVID19: Nomadismo na Pandemia

Sim pegamos COVID, nos juntamos a estatística assustadora de mais 190.000.000 de pessoas infectadas ao redor do mundo. Não, não foi legal pegar a doença da pandemia em plena pandemia. Neste episódio contaremos brevemente sobre a nossa experiência com a doença.


Em 2019 vendemos tudo dentro de casa e no bolo até o carro foi negociado. O nome disso? Desprendimento!
Planejamos tirar o ano de 2020 para viver uma aventura nômade pelo litoral do Brasil: cuidando da família, dos filhos, dos gatos e gerenciando uma empresa remotamente.
Mas o mundo foi tomado de assalto pela Covid19. Naquele mesmo momento o curso da história da humanidade, que até então vivia uma evolução tecnológica sem precedentes, se viu mergulhada em uma pandemia, que só tínhamos conhecimento através dos livros de história.
Pandemia? Isso é coisa da idade média. Quem diria que em pleno século 21, a era da informação, dos empresários chegando até o espaço, teríamos que combater um vírus mortal, que deixou de joelhos grandes potências mundiais frente a um vírus que até o momento ninguém sabe explicar ao certo a sua origem. E mergulhou no caos social, diversos outros países.
O mundo mudou os seus hábitos. Tornou-se recluso e a palavra de ordem foi: higiene e distanciamento social. Agora, álcool em gel e máscara eram os itens de sobrevivência.

Nômades reclusos

Já estávamos há mais de um ano basicamente em casa. Fomos taxados de radicais e eram raríssimos os encontros com a família e amigos. Mas ainda assim: Pegamos Covid19 e foi horrível. Emocionalmente e fisicamente ficamos destruídos.

Ficamos muito tempo pensando o quanto estávamos atrapalhando o distanciamento social, se ficássemos nos deslocando muitas vezes de região, por conta da pandemia. Entendemos que o ideal é se manter o mais parado possível, optamos por ficar quatro meses no Ceará, que foi quando a vacinação ainda não tinha começado e os índices de contágio e morte estavam em alta.

Com o fato de não termos uma casa fixa, temos de encontrar locais que nos aceitem em estadias de longa duração e, por regra, a locação por temporada por mais de três meses não é permitido.

Sendo assim, mudamos no mesmo condomínio apenas de apartamento uma vez e ficamos parado quatro meses no Ceará, mesmo tendo uma vontade enorme por dentro de estar por aí, preferimos fazer a nossa parte e ficarmos parados.

No início da pandemia, como a maioria das pessoas, ficamos sete dias sem sair de casa. Dá para contar nos dedos quantas vezes comemos comida de fora nos últimos 17 meses. As compras eram feitas online, evitávamos ir ao mercado.

Sem reuniões e encontros familiares
Muita gente nos chamavam de radicais, pois literalmente não nos permitíamos muitos vacilos. Porém, caímos no conto da sereia e em um dos primeiros e únicos deslizes que demos: Fomos contaminados pelo vírus danadinho que tem colocado o mundo todo em estado de alerta.
Foi uma única visita. Sim, uma visita. Não participamos de nenhum churrasco, nem reuniãozinha com os amigos há mais de um ano e meio. E, consideramos que receber uma pessoa da família e seu filho pequeno em casa não seria um grande problema, já que eles também estavam quarentenados.

Nossos filhos não vão às aulas presenciais desde o início da pandemia, e raramente brincam com crianças fora de casa. Pois, esta visita veio e trouxe junto a tal doença pandêmica.
O engraçado é que muita gente deve ter pensado: lógico que pegaram, eles ficam pra lá e pra cá, mas esta não é a verdade. Pegamos de uma visita e por mais que estejamos nômades neste momento, fizemos uma quarentena mais ferrenha que muita gente nao nômade, mas creio que cada um sabe onde o sapato aperta e entendi que cada um dá os seus deslizes e vive este momento difícil da forma que melhor lhe cabe, afinal, a verdade de um não é a do outro. E o julgamento nunca é fiel.

A doença
Foi muito ruim, pegamos eu e Daniel e ela, todos os quatro filhos ( três meus e um dela) passaram ilesos.
Posso dizer que a doença é forte e demorada. O que quero dizer com isso? É que mesmo que tenhamos tido sintomas leves, felizmente, ainda assim sofremos as consequências: febre, dor no corpo enorme, dor de cabeça fadiga, o tempo todo, muita tosse, boca seca e dor de garganta.
Como típico à doença, passamos cinco dias com sintomas do vírus e depois sintomas da briga do sistema imunológico, daí veio a fadiga muito grande e o cansaço aumentou significativamente.
Sim, são dez dias bem ruins, depois, como no nosso caso, vai melhorando, mas são pelo menos mais dez dias de sintomas bem aparentes.
Fizemos um primeiro teste no laboratório, todos nós cinco quando percebemos que estávamos com sintomas, e nestas alturas todos nós apresentamos algum sinal de que pudéssemos estar contaminado, a cabeça vai longe nestas horas e é difícil distinguir o que são reações do corpo do dia dia normais e o que são sintomas do vírus.

Testamos os cinco no laboratório, porém soubemos que este exame poderia levar até oito dias para ser entregue, dormimos e no dia seguinte ficou muito claro que quem estava, de fato com sintomas aparentes éramos mesmo eu e Daniel. Para que fizéssemos o isolamento adequadamente fomos todos os cinco testar na farmácia para termos a certeza no momento o que estava acontecendo e daí veio a verdade, eu e Daniel positivos e os filhos negativos.

Todos ficamos em isolamento por 14 dias, porém eu e Daniel nos mantivemos só no quarto durante estas duas semanas. Passado alguns dias o exame do laboratório confirmou os mesmos resultados e de fato nenhum dos três filhos apresentou nenhum sintoma mais.

O tratamento e consultas médicas
Para o nosso tratamento, após bater muita cabeça tentando nos informar pra que lado ir. E esta sim é a grande dificuldade por não termos uma orientação única e as opiniões serem muito divergentes. Acionamos a nossa rede de contato e encontramos um médico que está na linha de frente atendendo muitos pacientes com a COVID. Este médico topou nos atender à distância e foi nos passando as orientações a serem seguidas. Todos os dias passávamos para ele a nossa temperatura e saturação, e assim foi por quarenta dias. No quinto dia fizemos um exame de sangue, no qual Daniel apresentou uma pequena inflamação, desta forma ele tomou anti inflamatório por cinco dias e eu não precisei tomar nada, só mesmo dipirona para controle de dor e febre.
Eu tive muitas crises de pânico e ansiedade de forma, que optei por tomar um fitoterápico ansiolítico, pois, de fato as noites de sono não estavam acontecendo com a devida eficiência, o que era essencial para recuperação.
Posso dizer que os sintomas emocionais foram terríveis, quando me sentia bem, me pegava em sobressalto altamente preocupada com o Daniel e na sequência pensava também que outra pessoa muito especial estava com os mesmos sintomas e nós três tínhamos de sair ilesos.
De certa forma nós três pudemos nos apoiar muito, e um consolava o outro nas horas mais difíceis, só pensávamos que tínhamos de nos safar.

Além disso, vivi muitas crises de culpa, culpa por ter vacilado, culpa por ter colocado minha família nesta situação e culpa por ter colocado as visitas que eu tanto amava nesta situação difícil também. Aos poucos fui dissolvendo isso e entendendo que estamos em pandemia e que cada um vai escolhendo os riscos que quer correr dependendo das condições que tem de sobreviver sejam físicas ou emocionais, e que nestes riscos que escolhemos podemos escorregar. Graças às Deusas todos nós nos safamos muito bem


A melhora
Vale dizer, que os sintomas cessam após 40 dias. No nosso caso, a dor de garganta, e a tosse ficaram. A fadiga também perdurou por este tempo.
Após 20 dias da infecção voltamos devagar às atividades físicas, o que foi bem decepcionante. Estávamos antes do covid, correndo 10/12 km e após o covid passamos a correr 3 ou 4 com muito esforço é claro.


Vacinados

E no dia 07/07, meio mágico esse número hein? O Daniel e eu nos vacinamos. E demos a sorte de ter tomado uma vacina de dose única: a Janssen.
Para conseguirmos vacina, colocamos o endereço de onde estávamos hospedados e levamos conosco o contrato de locação, explicamos a nossa situação e fomos atendidos, pois entenderam que já estávamos no Ceará há quatro meses comprovadamente e a vacinação estava na nossa idade e tempo de ser tomada. Mesmo sabendo que teríamos o direito de tomar antes, pois ambos somos profissionais da Saúde, preferimos aguardar a nossa vez pela idade, já que não estamos atuando como psicóloga e fisioterapeuta no momento.

E é isso pessoal, esta foi a nossa experiência do contato com a doença mais falada dos últimos cem anos em todo o mundo. Espero que possamos ter contribuído de alguma forma contando parte de nossos momentos estarrecedores.

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