facebook

Chapada Diamantina: a nossa chegada

Agora as montanhas são de pedras e não mais de areia, as água são doces nas cachoeiras e não mais as salgadas do mar e as caminhadas passaram a ser nas trilhas e não mais na orla. A praia nos deixa saudades, mas o ar fresco da mata nos abraça e nos acolhe para mais uma nova aventura. Eu sou a Danny Truffi e este é o Podcast do portal We Go. um espaço de experiência compartilhada e rompimentos de barreiras, ouça para que você possa se inspirar e romper as suas próprias barreiras, neste episódio contarei nossa viagem do Ceará ao interior da Bahia, mais precisamente, até lençóis na chapada Diamantina! Vem com a gente vai ser mais leve garantimos!

Nossa, doeu o coração sair do Ceará, parecia que aquela seria a nossa casa eterna, afinal, muitas coisas aconteceram naquele pequeno apartamento. No entanto, o próximo destino chamava e já estávamos vislumbrando novas aventuras no horizonte. Pronto! Já era hora de partir.

Após buscar e buscar muito, novas casas e lugares, decidimos que voltaríamos à Bahia, e para isso “voltaríamos” mais de 1500 quilômetros em nossa viagem. Em nosso banco de casas dentro do Airbnb, uma delas nos chamava a atenção toda vez que a revia ali em minha lista de desejadas no estado da Bahia. Sim, temos lista de casas desejadas em todos os estados do Brasil e já iniciamos listas internacionais. Enfim, voltando aqui ao raciocínio. Em outubro passado passamos pela Bahia, porém por um monte de razões não conseguimos descer para o interior e passar pela tão desejada e sonhada Chapada da Diamantina. E foi nessa indecisão de casas e destinos que entendemos que valeria a pena, esta longa jornada em busca dos mistérios das terras chapadeiras

Para nos aventurarmos nesse percurso entre o Ceará e o interior da Bahia de forma menos cansativa, resolvemos dividi-lo em duas paradas: uma em Juazeiro do Norte ainda no Ceará e outra em Petrolina no Pernambuco.
Sendo assim, levaríamos três dias para chegar e tentaríamos conhecer bem rapidamente estas duas cidades de passagem. Sentiu o nosso poder de estratégia? Você vai chegar lá!

As estradas no interior do nordeste são absolutamente vazias e esburacadas. Encontramos alguns vendedores no meio da estrada e alguns postos que não tinham muita estrutura de parada, incluindo alimentação e banheiros. Fica esse alerta para quem estiver se aventurando por essas bandas. vale planejamento e vale comidinhas e papel higiênico no carro, sempre. E não esquece, perder a oportunidade de abastecer o carro pode se tornar um problema nos próximos quilômetros.

Na primeira perna da viagem nossa ida à Juazeiro, em uma parada breve em um posto, um viajante nos parou e perguntou para onde estávamos indo, e informamos o percurso. Neste momento ele nos alertou que tem um trecho nesta estrada que é muito perigoso e passível de assaltos.

Ficamos bem apreensivos, não sabíamos qual parte da história era verdade e qual não era, mas resolvemos pesquisar quando chegamos no hotel.
E, de fato, o tal do Trevo do Ibó, mais uma vez fica o alerta, parece guardar fatos temerosos. Ainda não sabemos ao certo se é mito, se é menos do que se conta ou se de fato não deve-se passar por ali, mas por via das dúvidas nós preferimos desviar afinal.

Resolvemos ligar na polícia rodoviária de Pernambuco e também da Bahia e a polícia da Bahia nos orientou a desviar se fosse possível pois havia tido um assalto naquele dia pela manhã.

Trevo do Ibó: o pesadelo dos caminhoneiros
É necessário fazer um parênteses aqui para explicar essa região do Trevo do Ibó. O trevo está localizado no entroncamento entre as BR-116, BR-426 e BR-316, próximo aos municípios de Salgueiro, Petrolina, Feira de Santana, Ibó e Floresta.
O local já serviu de base para a Polícia Federal e para um posto fiscal da Receita Federal. Esse posto gerava uma fila gigante de caminhões, que ficavam parados por horas. Um prato feito para os piratas do asfalto. E rolavam por ali os mais variados crimes: roubos, arrastões e até latrocínios. Com isso o posto foi transferido de local, mas o pouco policiamento da região continua.
Os bandidos têm como objetivo o roubo de cargas dos caminhões, mas é de suma importância que todos tenham cuidado ao passar por essa região. Pois a polícia nos alertou de que eles roubam carros de passeio para fuga.
Em julho de 2018 ocorreu um dos maiores arrastões desse trecho, onde mais de 30 veículos, entre caminhões, carretas e automóveis de passeio foram assaltados.

Desviamos seguindo as orientações que o recepcionista do hotel nos passou, ele era vendedor e viajava toda a região que passamos e iríamos passar. Ele nos mostrou que a ideia era, realmente colocar uma cidade mais acima que não passaria naquele trecho, então ele nos passou três cidades que fomos colocando em cada trecho até chegar em Petrolina, que era o destino final. de forma que colocando estas cidades uma a uma no Waze conseguimos contornar aquele trecho específico que não queríamos arriscar de passar.

Confesso que fiquei um pouco tensa, aliás acho que todos ficamos, pois fantasiamos várias coisas, dentre elas, que poderíamos passar em um verdadeiro campo de guerra, onde correríamos o risco de levar tiros ou sermos assaltados no meio do nada. Enfim, dos males os menores e passamos por estradas ainda mais desertas e esburacadas, porém passamos ilesos pelo tal trevo do Ibó.


E então, ao final do terceiro dia, a nossa brilhante chegada à Chapada. Já na estrada chegando em lençóis já começamos a sentir a diferença, a energia e a presente e constante força da natureza pouco tocada. o quanto mudou o que víamos. Um alento aos olhos e para a alma.
Tanto tempo viajando por areia, dunas e praias, passamos então a avistar lindas e formosas montanhas de pedras que parecem ter sido colocadas ali à mão uma a uma.
Fora a vegetação exuberante da mata majestosa que nos cerca por todos os lados.
Lençóis é uma cidade simpaticíssima. Tipicamente uma cidade histórica que nos remete às cidades do interior de Minas Gerais.

As ruas são de paralelepípedos e quando não são de paralelepidos, são de terra. Haja amortecedor, mas sinceramente, eu amo ruas de terra. E a empolgação tomou conta de nós na busca por novos ares de aventuras na montanha.

Ao chegar na casa @Pinacata 3. Após três dias de estrada e muita tensão, um bálsamo de alegria para todos.

Peter nos esperava na rua, que no caso era de terra e sem saída, a nossa casa era a última da rua, na frente atrás e do lado, muita mata, terra e pedra. Durante este nosso último ano na estrada, por várias vezes me peguei pensando que a minha vida tem se passado em um conto de fadas e a Chapada e a casa que ficamos me trouxe a certeza de que de fato, estamos em uma historinha linda.

Que dentre todas as suas decepções e dificuldades, resiliências emocionais, estamos tendo momentos de extrema alegria e gratidão.
Após todo o estresse que passamos no Ceará com uma sequência de fatos desgastantes, de ordem pessoal, resolvi que na Chapada tentaria viver na gratidão e no otimismo e é incrível como esta vibração volta para nós.

Voltando, Peter nos esperava na porta e nos entregou a chave desejando as boas vindas, e a Nazir disse que as orientações estavam no guia que ela nos enviou da casa. Siiiiiimmmmmm Self Check innnnn rsrsrsrs…..

A casa era encantadora e muito mais linda do que nas fotos.
Nazir e Peter moravam em duas casas depois da nossa e era tão reconfortante saber que eles estavam ali.
E, mais uma vida iniciava nesta nova etapa de nosso rolê! Em breve contaremos nossa rotina nas terras chapadeiras.

Ouça o PODCAST desse texto

compartilhe essa ideia

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

escute o We Go